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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

olho no Lírio

fotos de Fernanda Toscano Bloise


o olho no lírio
vejo o presente da vida.

no avião dos meus Cílios.



no avião na distância dos cílios
pisco lentamente e inspiro cada passo
escalo o morro dos outdoors
e dobro as roupas nú.
nunca mais serei o passado
nem o desespero de futuro
sou eu, aqui, agora, 
pontífice entre céu e terra
do tamanho que tenho
na hora que é sou soul
ficando. fincado. enraizado
florindo e expandindo
a órbita do meu coração
até o Recife. sem sair de dentro do meu eixo.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

atravessando o inatravessável.




















foto de Caio Zanuto





Busco no fundo da capacidade de amar
Destruindo as paredes que construí na alma
Sob as ruínas da surdez atravesso o "inatravessável"
atento como um cão que ama
farejando e separando cada flor
fiel como um jardim
tesudo como uma alamanda
reconhecedor da incapacidade
buscador da felicidade
duplo e uno
busco silêncios
no meio do barulho
da minha intuição
tão menina
atravessando
uma flor
inatravessável.
9.12.13


domingo, 22 de janeiro de 2012









"promover uma micropolítica dos afetos cujos outros usos podem pôr em movimento devires ativos, investindo uma ética da potência pautada nas alegrias ativas, na invenção de si e de modos libertadores de existir."

domingo, 1 de janeiro de 2012













GATE GATE PARAGATE
PARASAMGATE BODHI SVAHA
om: o bija dos mantras; corpo sonoro de Shabda Brahman
gate gate: avance avance
paragate: vá adiante e transcenda
parasamgate: vá diretamente adiante
bodhi svaha: firmemente enraizado na iluminação
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"Há uma luz que brilha mais do que bilhões de sóis juntos. É a essência da alma. Essa é a luz que mora no coração."


Shânkara (788-820)


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011










VIVER SEMPRE TAMBÉM CANSA

Viver sempre também cansa.
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinzento, negro, quase-verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.

O mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.

As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.

Tudo é igual, mecânico e exacto.

Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.

E há bairros miseráveis sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...

E obrigam-me a viver até à Morte!

Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois,
achando tudo mais novo?

Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.

Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
“Matou-se esta manhã
Agora não o vou ressuscitar por uma bagatela.”

E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo...


Jose Gomes Ferreira

sábado, 1 de outubro de 2011

II




















II

Não sejas o de hoje.
Não suspires por ontens - . .
Não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabe que serás assim para sempre.
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
É a passagem que se continua.
É a tua eternidade. . .
É a eternidade.
És tu.

(Cecília Meirelles)